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DRE: Como Analisar Resultados Financeiros da Sua Clínica

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Jean Santos

Gestora de clínica de saúde analisando DRE em notebook com gráficos financeiros na tela

Em quase duas décadas acompanhando empreendedores e profissionais de saúde na gestão de seus negócios, já testemunhei de perto como a Demonstração do Resultado do Exercício pode transformar a visibilidade financeira de clínicas, consultórios, academias e salões. No universo competitivo dos segmentos de saúde, beleza e bem-estar, entender os números da sua operação e conseguir reagir a tempo é o que diferencia empresas sustentáveis de negócios com resultados incertos.

Vi muitos gestores confundirem fluxo de caixa com lucro real, e negligenciarem a análise do relatório de resultado do período. Costumo dizer: “Só gerencia quem mede, e só cresce quem entende os próprios dados.” Saber interpretar cada linha da DRE não só ajuda a responder se o negócio teve ganho ou prejuízo, mas orienta decisões mais seguras para o futuro.

Neste artigo, quero compartilhar como eu interpreto a DRE, suas principais seções, exemplos práticos desse relatório nas clínicas e salões, e como você pode aproveitar essa ferramenta – ainda mais poderosa quando trabalhada por uma contabilidade que realmente entende o seu setor, como a Biank. Vamos juntos?

O que é a DRE e por que ela importa?

A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) é um relatório contábil que resume todas as receitas, custos e despesas de um negócio em determinado período, normalmente mensal, trimestral ou anual. No final, você encontra o valor do lucro ou do prejuízo que a clínica, consultório ou salão teve naquele intervalo.

Ao contrário do fluxo de caixa, que mostra entradas e saídas de dinheiro, a DRE também considera valores a receber e a pagar já reconhecidos (mesmo que ainda não tenham sido quitados). Em clínicas, por exemplo, procedimentos faturados mas ainda não recebidos aparecem na receita, pois já foram realizados e devem ser contabilizados para mensurar o desempenho real.

Em minha experiência, profissionais da saúde muitas vezes só percebem resultados aquém do esperado no fim do ano porque não acompanham esse demonstrativo regularmente. Ter a DRE estruturada ajuda não só em situações extremas, como prejuízos, mas permite enxergar a saúde financeira mês a mês, evitando decisões precipitadas.

As principais seções da DRE, na prática

Para tornar o relatório útil e transparente, é fundamental entender cada parte. Vou detalhar, com exemplos típicos das rotinas de clínicas e negócios de bem-estar:

  • Receita Bruta: É o total de vendas ou serviços prestados, sem descontos, impostos ou devoluções. Num consultório médico, entram aqui todos os atendimentos do mês; em uma academia, as mensalidades vendidas.
  • Deduções da Receita: Aqui aparecem descontos concedidos, impostos sobre a nota (ISS, por exemplo), devoluções e cancelamentos. Uma clínica de estética que lança descontos para clientes fiéis e paga ISS sobre os procedimentos precisará destacar esses valores.
  • Receita Líquida: É a receita bruta menos as deduções. Esse é o valor que realmente entra para cobrir despesas e, futuramente, gerar lucro.
  • Custo dos Serviços Prestados (CSP): São os gastos diretamente ligados ao serviço. Exemplo clássico: material descartável em clínicas odontológicas, comissões de profissionais em salões, suprimentos médicos, entre outros.
  • Lucro Bruto: Receita líquida menos o custo. Aqui você já começa a enxergar quanto sobra antes dos gastos administrativos e operacionais.
  • Despesas operacionais: Envolvem custos com pessoal administrativo, aluguel, marketing, contas de energia, telefone, sistemas, manutenção, treinamentos e outros essenciais para o funcionamento da estrutura (não ligados diretamente ao serviço em si).
  • Resultado operacional: Subtrai-se as despesas operacionais do lucro bruto, revelando a eficiência da operação do negócio.
  • Outras receitas e despesas: Incluem rendimentos de aplicações financeiras, multas recebidas ou pagas, receitas eventuais não recorrentes, etc.
  • Lucro antes do IR/CSLL: Mostra o resultado antes dos impostos sobre o lucro.
  • Lucro líquido: Depois de deduzidos os impostos, esse é o verdadeiro ganho – ou a perda – do negócio no período.

Cada etapa exige atenção. Por exemplo, vi clínicas de estética celebrarem receitas altas sem perceberem que os custos de material e comissões estavam subindo proportionalmente, o que erodiu a margem de lucro.

Como interpretar a DRE da sua clínica

Entender o relatório é mais do que enxergar o número final do lucro. Eu sempre recomendo olhar para três pontos-chave:

  1. Mudança de margens: Se a receita cresce, mas o lucro diminui, vale investigar: os custos subiram? Algum insumo ficou mais caro? Gastos administrativos aumentaram?
  2. Comparativo com meses ou anos anteriores: Margens apertando ao longo do tempo indicam problemas. Já orientei consultórios que expandiram o número de pacientes sem rever processos, gerando sobrecarga e queda no resultado final.
  3. Impacto das deduções: Em clínicas que atendem muitos convênios, desconto médio das operadoras pode consumir boa parte da receita. O mesmo vale para promoções frequentes em academias ou salões – aumentam o faturamento, mas podem comprimir o resultado e exigir ajuste nas estratégias.

Muita venda, pouco lucro: um dos piores cenários para negócios de saúde.

Praticamente todos os segmentos acompanhados pela Biank se beneficiam de uma análise regular. É impossível tomar uma decisão racional sobre reverter prejuízo, ampliar horários, contratar novos profissionais ou inserir procedimentos sem entender de onde vêm os gargalos ou oportunidades de ganho na DRE.

DRE gerencial e contábil: uma diferença importante

Muitos donos de clínica ou estúdio confundem esses dois tipos de relatório. A versão gerencial é feita sob medida para a administração, permitindo divisão de custos conforme a rotina do negócio, sem seguir todas as normas fiscais. Já o demonstrativo contábil respeita regras e formatos exigidos pela legislação.

Para tomar decisões no dia a dia, sempre sugeri complementar a visão contábil com a gerencial: assim, você pode dividir despesas por centro de custo (ex.: cada especialidade da clínica), entender a rentabilidade de serviços diferentes (como nutricionista versus fisioterapia) e simular cenários.

Se você tem dúvidas sobre a adoção de um modelo mais próximo da sua realidade, recomendo navegar na seção de contabilidade no blog da Biank. Há diversas orientações práticas que detalham melhor essas diferenças.

Automatização: como estruturar e atualizar a DRE sempre

Um erro comum é montar o relatório apenas de tempos em tempos, ou depender de inúmeros lançamentos manuais. Hoje, existem sistemas e processos que automatizam parte das informações, principalmente quando integrados a softwares de gestão ou ERPs especializados em saúde e beleza.

  • Estabeleça categorias internas de receitas e custos, adaptadas ao seu modelo de negócio.
  • Associe cada venda, despesa e custo ao respectivo centro de custo (ex.: sala de pilates, consultório de psicologia, área de depilação).
  • Atualize o registro financeiro pelo menos semanalmente, não só ao final do mês.
  • Padronize as regras para rateio de despesas compartilhadas (como aluguel e energia).
  • Utilize dashboards e relatórios visuais para acompanhamento rápido, facilitando reuniões administrativas.

Relatório DRE impresso com destaques e anotações em mesa de consultório

Na minha rotina ao lado dos clientes da Biank, vejo como essa estrutura faz diferença, pois elimina retrabalho na hora de prestar contas e facilita a visualização de tendências problemáticas (como custos percentuais subindo mês a mês).

Usando a DRE para encontrar pontos de melhoria na clínica

Uma grande vantagem do relatório do resultado é a possibilidade de “fatiar” a operação, identificando setores ou serviços que mais drenam recursos ou apresentam potencial de crescimento. Por exemplo, uma academia que observa baixo desempenho em horários de menor movimento pode redesenhar pacotes ou otimizar funcionários nas faixas ociosas.

Já acompanhei um spa de bem-estar que, ao segmentar a DRE por tipo de procedimento, percebeu que serviços premium eram menos recorrentes, porém geravam margens melhores do que pacotes promocionais. A decisão de investir mais em divulgação dos procedimentos de ticket alto, em vez de promoções diárias, triplicou a lucratividade em alguns meses.

Use sempre a DRE para checar hipóteses de negócio, avaliar o retorno real de promoções, repensar escalas de equipe e renegociar com fornecedores.

DRE e balanço patrimonial: análise conjunta para decisões estratégicas

Apesar de muita gente tratar os dois relatórios como independentes, é o cruzamento entre eles que potencializa a gestão. O balanço patrimonial revela tudo o que o negócio possui (bens e direitos) e tudo que deve (obrigações), compondo o patrimônio líquido. Já a DRE mostra a performance em determinado período.

“Lucro não significa dinheiro em caixa”: Já vi clínicas com resultado positivo na DRE, mas alto volume de contas a receber, comprometendo a liquidez. Por outro lado, o balanço mostra quanto daquela evolução no resultado já virou patrimônio ou se virou dívida a pagar.

O Ipea explica a importância das contas de saúde no Brasil exatamente nesse contexto: é preciso enxergar os fluxos financeiros de forma integrada, para embasar decisões sólidas. Em minha experiência, esse entendimento integrado antecipa riscos e justifica investimentos, como reformas, compra de equipamentos ou expansão de serviços.

Destaques do resultado financeiro no setor de saúde, beleza e bem-estar

É interessante perceber como o setor tem apresentado desempenho favorável nos últimos semestres. Estudos recentes da ANS divulgaram lucro líquido recorde no segmento de planos de saúde, indicando que operações eficientes e maior controle de despesas garantem resiliência mesmo em cenários desafiadores.

No primeiro trimestre de 2025, por exemplo, as operadoras atingiram lucro líquido de R$ 7,1 bilhões, representando 7,7% da receita total do período. Isso reflete como o acompanhamento estratégico de despesas, ajustes em processos e foco em pontos críticos podem gerar resultados superiores, tendência que eu vejo se repetir em clínicas e consultórios que investem no controle e organização da DRE.

Profissional analisando gráficos financeiros no computador, ambiente de estética

Já no primeiro semestre de 2024, o setor gerou R$ 5,6 bilhões de resultado positivo, provando que manter o olhar atento sobre despesas operacionais, renegociação de fornecedores e projetos de melhoria contínua dá frutos reais.

Esses aprendizados também inspiram pequenos e médios negócios. Acompanhar tendências do segmento e cruzar com suas próprias DREs funciona como bússola para ajustes táticos e validação de novas estratégias, seja para clínicas, academias, espaços de beleza ou profissionais autônomos.

Dicas práticas para manter uma DRE funcional e confiável

  • Revise contas-contábeis com frequência, garantindo que cada receita ou despesa esteja classificada corretamente.
  • Concilie valores do resultado financeiro com fluxo de caixa para não confundir resultado contábil com disponibilidade real de recursos.
  • Acompanhe as margens percentuais (lucro sobre receita e Custo dos Serviços Prestados sobre receita líquida); estas porcentagens contam muito sobre sustentabilidade da operação.
  • Implemente rotinas de análise mensal, chamando os principais responsáveis para reuniões rápidas de revisão.
  • Automatize o lançamento de dados, reduzindo riscos de erros e atrasos, pode ser seu sistema de gestão ou a integração de planilhas inteligentes.

Se você quer mais orientações sobre como estruturar relatórios, sugiro procurar inspiração também nos conteúdos sobre empreendedorismo ou gestão na saúde no blog da Biank. Divido, ali, experiências e dicas de quem acompanha o dia a dia desses mercados.

Lembrando:

Decisões informadas geram negócios mais resilientes.

Como a Biank apoia clínicas e profissionais nesses desafios

Ao longo do tempo, vi que muitos gestores buscam apoio de profissionais que realmente compreendam as particularidades do setor, seja saúde, beleza, estética, academias ou consultórios de nutrição. A Biank nasceu dessa necessidade: combinar tecnologia que simplifica lançamentos e relatórios, com atendimento de pessoas que conversam o mesmo idioma do cliente.

Desde a formalização até a rotina mensal, orientamos desde a montagem dos planos de contas até a análise dos relatórios, tudo por atendimento ágil e próximo. Com isso, os clientes têm a tranquilidade de saber onde estão, onde podem chegar e, principalmente, como evitar surpresas desagradáveis.

Você pode ter uma prévia de exemplos reais, acessando nosso artigo sobre como o controle financeiro aumenta o lucro em clínicas. Já mostrei, inclusive, como a DRE permite identificar custos escondidos e guiar reinvestimentos mais inteligentes.

Conclusão

Se tem uma certeza que carrego após acompanhar tantos profissionais desse setor é que a DRE não é só um relatório para “burocracia”. É uma ferramenta de gestão que expõe caminhos para economizar, investir e crescer. Ela responde dúvidas que todo empresário tem: onde está o lucro real, quais serviços dão mais retorno, para onde está indo o dinheiro.

Quem observa os próprios relatórios regularmente se antecipa a riscos e expande com mais segurança, mesmo diante de oscilações de mercado evidenciadas por órgãos como a ANS e Ipea. E se sua clínica, consultório, salão ou academia quer crescer com base em dados claros, contar com o apoio da equipe da Biank é um passo decisivo nessa direção.

Aproveite para conhecer nossas soluções, conversar com nossos especialistas ou tirar dúvidas sobre como aplicar tudo isso no seu dia a dia. Garanta a sustentabilidade do seu negócio com quem realmente entende o seu segmento.

Perguntas frequentes sobre DRE em clínicas e saúde

O que é uma DRE na área da saúde?

DRE, sigla para Demonstração do Resultado do Exercício, é um relatório que detalha todas as receitas obtidas, custos e despesas de uma clínica, consultório ou estabelecimento de saúde durante um período, mostrando o lucro ou prejuízo realizado. Ela serve para o gestor entender se a operação está saudável, onde estão os maiores gastos e quais serviços geram mais resultados.

Como fazer uma DRE para clínica médica?

Para montar esse relatório, listo todas as receitas do período (consultas, procedimentos, exames), depois desconto impostos, devoluções e cancelamentos para chegar à receita líquida. Subtraio o custo dos serviços (materiais, comissões, honorários) e, depois, lanço despesas operacionais (aluguel, salários, manutenção). O resultado é o lucro operacional, descontando ainda impostos sobre o lucro até chegar ao resultado final.

Para que serve a DRE em clínicas?

A DRE mostra se o negócio está realmente dando lucro, permite enxergar se aumentos de receita compensam ou não os custos e aponta setores e serviços mais rentáveis ou problemáticos. Com ela, o gestor pode tomar decisões com base em dados, não só na intuição ou no saldo da conta bancária.

Quais dados incluir na DRE da clínica?

Devem constar: todas as receitas (consultas, procedimentos, vendas), deduções (descontos, impostos incidentes e cancelamentos), custos diretamente ligados à execução dos serviços (materiais, insumos, comissões), despesas operacionais (salários, aluguel, água, energia), receitas e despesas não operacionais (aplicações financeiras, multas) e, por fim, impostos sobre o lucro.

DRE ajuda a tomar decisões financeiras?

Sim, e de forma muito concreta: ao evidenciar margens, pontos de gasto excessivo e tendências ao longo do tempo, a DRE guia decisões de expansão, cortes, renegociação com fornecedores, contratação de funcionários e outras escolhas estratégicas do negócio. Negócios que usam esse demonstrativo de forma regular conseguem reagir mais rápido a imprevistos e sustentar crescimento com menos riscos.

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