CNAE para salão de beleza: qual escolher e como ele mexe no seu imposto

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Recepção de salão de beleza moderno e organizado, com estações de atendimento ao fundo

Parece detalhe burocrático, mas o cnae salão de beleza é uma das primeiras decisões que definem quanto você vai pagar de imposto pelos próximos anos. Já vi salão pagando mais do que devia simplesmente porque registrou um código que não batia com o que de fato fazia. E vi o contrário: salão tranquilo, no anexo certo, porque alguém acertou isso na abertura.

Vou te mostrar quais são os CNAEs do setor, o que cada um cobre, e por que essa escolha vai parar diretamente na sua alíquota do Simples.

O que é o CNAE e por que ele importa tanto

CNAE é a Classificação Nacional de Atividades Econômicas, o código que diz, pra Receita e pra prefeitura, o que a sua empresa faz. Toda empresa tem um CNAE principal e pode ter secundários.

No Simples Nacional, esse código não é só etiqueta. Ele influencia em qual anexo a sua atividade é tributada, e os anexos têm alíquotas bem diferentes. Escolher o CNAE errado é o tipo de erro que não dói no dia da abertura, mas cobra juros pelo resto da operação.

Os principais CNAEs do salão de beleza

Para salões e profissionais de beleza, dois códigos concentram quase tudo:

9602-5/01: Cabeleireiros, manicure e pedicure Cobre lavar, cortar, pentear, tingir e tratar cabelo, serviços de barbearia, manicure e pedicure. É o código central de quem trabalha com cabelo e unhas.

9602-5/02: Atividades de estética e outros serviços de cuidados com a beleza Cobre depilação, maquiagem, limpeza de pele, massagem estética, bronzeamento artificial e tratamentos corporais. É o código da parte de estética.

Muitos salões usam 9602-5/01 como principal e 9602-5/02 como secundário (ou o inverso), porque na prática fazem as duas coisas. Não há problema em ter mais de um: o que importa é que os códigos reflitam o que você realmente oferece.

Se você vende produtos (shampoo, cosméticos, esmaltes) além dos serviços, pode ser necessário incluir também um CNAE de comércio varejista de cosméticos. Isso muda a forma de tributar a parte de venda de mercadoria, então é assunto pra conversar com o contador antes de cravar.

O impacto no Simples Nacional: aqui mora a boa notícia

Esse é o ponto que costuma surpreender o dono de salão, e pra melhor.

Os dois CNAEs principais do setor (9602-5/01 e 9602-5/02) são tributados diretamente pelo Anexo III do Simples Nacional, que começa em 6% na primeira faixa. E, melhor ainda: não dependem do Fator R.

Por que isso é relevante? Em muitas atividades de serviço — odontologia, psicologia, fisioterapia, entre outras — existe uma conta chamada Fator R que decide se você cai no Anexo III (6%) ou no Anexo V (15,5%). Quem não bate a relação certa entre folha e faturamento paga mais que o dobro. É uma dor de cabeça mensal.

Para salão de beleza, com o CNAE certo, essa dor não existe: a atividade já entra no Anexo III por enquadramento direto, sem precisar manter um nível mínimo de folha pra “garantir” os 6%. Você nasce no anexo mais barato.

Um exemplo de quanto isso vale

Imagine um salão que fatura R$ 20.000 por mês, ou R$ 240 mil no ano. Comparando, na primeira faixa de cada anexo (onde a alíquota nominal coincide com a efetiva):

  • No Anexo V, a 15,5%, seriam cerca de R$ 3.100 de imposto por mês.
  • No Anexo III, a 6%, ficam cerca de R$ 1.200 por mês.

A diferença passa de R$ 1.900 por mês, mais de R$ 22 mil no ano. O salão com o CNAE correto já começa no patamar baixo, sem precisar fazer ginástica com a folha pra chegar lá. É por isso que eu insisto: o código não é detalhe, é dinheiro.

A partir da segunda faixa de faturamento, a alíquota efetiva é menor que a nominal por causa da “parcela a deduzir”. O número exato do seu salão depende do faturamento dos últimos 12 meses, então simule com seu contador.

Erros de CNAE que aparecem com frequência

Alguns deslizes que custam caro:

  • Registrar só um código quando o salão faz cabelo e estética. Isso pode gerar questionamento fiscal se o serviço prestado não bate com o CNAE declarado.
  • Esquecer o CNAE de comércio quando há venda relevante de produtos.
  • Copiar o CNAE de outro salão sem checar se as atividades são as mesmas. Cada salão tem seu mix.
  • Não atualizar o CNAE quando o salão muda (passa a oferecer micropigmentação, podologia, bronzeamento) e o código fica desatualizado.

A escolha e a manutenção do CNAE são parte do trabalho contínuo de uma boa contabilidade para salão de beleza. Não é “abriu, esqueceu”: conforme o salão cresce e diversifica, os códigos acompanham.

CNAE, MEI e a Lei do Salão Parceiro

Vale conectar dois pontos. Se você é um profissional que vai abrir CNPJ próprio — como MEI, por exemplo, pra atuar como profissional-parceiro — o CNAE 9602-5/01 está na lista de ocupações permitidas no MEI. Trato disso em MEI para cabeleireiro.

E se o seu salão trabalha com profissionais autônomos, o CNAE certo é só uma parte do desenho: a outra é formalizar as parcerias do jeito certo, como explico na Lei do Salão Parceiro. Os dois temas andam juntos na hora de montar a estrutura tributária do salão.

Perguntas frequentes sobre CNAE de salão de beleza

Qual o CNAE de um salão de beleza? Os mais usados são o 9602-5/01 (cabeleireiros, manicure e pedicure) e o 9602-5/02 (estética e cuidados com a beleza). A maioria dos salões usa os dois: um como principal, outro como secundário.

Salão de beleza paga Fator R no Simples? Não. Os CNAEs de salão (9602-5/01 e 9602-5/02) entram diretamente no Anexo III, com início em 6%, sem depender do cálculo de Fator R.

Posso ter mais de um CNAE no salão? Sim. Você define um CNAE principal e pode incluir secundários para as outras atividades que oferece (estética, venda de produtos, etc.). O importante é que reflitam o que você realmente faz.

Mudei os serviços do salão. Preciso mexer no CNAE? Sim, se você passou a oferecer atividades não cobertas pelos códigos atuais. Manter o CNAE atualizado evita questionamentos fiscais e garante que você está no enquadramento correto.

O CNAE define sozinho quanto vou pagar de imposto? Ele define o anexo e influencia muito, mas o valor final depende também do regime tributário, do faturamento e da estrutura do salão. Por isso a escolha do CNAE deve ser feita junto com o planejamento tributário, não isolada.

Conteúdo informativo, atualizado em 10/06/2026, com base na tabela CNAE vigente e na LC 123/2006. Cada salão tem uma realidade — consulte seu contador. Autoria: Dr. Jean Santos (CRO-PR 18633). Revisão técnica: Wanessa Nolli (CRC-PR).

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